Foto: Ricardo Resende/Unsplash

O meu berço e o berço do SAPO.PT! Já sabemos que esta plataforma de informação e entretenimento com 25 anos como é o SAPO nasceu numa cidade marinada pelo sal: Aveiro. Curioso que esta ‘escritora’ também lá nasceu e com muito orgulho.

Aveiro é mais do que uma cidade, é um distrito enorme e tem muito por onde cirandar. Aproximando a lente da cidade, mais especificamente, venham comigo de moliceiro (por favor, não digam Gôndola!) e enquanto leem, podem aqui pesquisar já como chegar até lá sem esforço e com a certeza de que será a próxima viagem que vai ter muito que falar!

Enquanto cidade, Aveiro é conhecida como a Veneza portuguesa. Vivi lá até aos trinta e nunca achei Veneza, achei sim muito mais similar com Amesterdão. É uma cidade quase metropolitana, extremamente bonita, clara e jovem. O empreendorismo aliado à história da Arte Nova da arquitetura do centro é o que mais carateriza a dicotomia aveirense. A cidade feita de pescadores de pele curtida pelo sol e pelo sal. A cidade que eu recordo sempre como sendo de abóbodas singelas. Singelas porquê? Porque os edifícios são baixos e sem excentricidade. São bonitos como uma mulher naturalmente bem feita e sem artifícios, digamos.

Depois deste passe de ‘entrada’, quero remar mais a fundo e levar-vos a recantos que extrapolam a cidade com a sua Sé Catedral, o Museu de Santa Joana e a Universidade de Aveiro (uma das melhores da Europa!). Aliás, nesta corrida de barco, não se esqueçam de parar ali na frente do Rossio (depois do que chamamos ‘as pontes’) e comprar ovos moles. Parar do lado esquerdo do canal, portanto oposto ao aconchegante hotel Moliceiro, e comer uma ‘tripa’ (não é tripa do Porto!). Ou comer a tripa (de ovos, de chocolate, de nutella, de três mil invenções boas) na Barra, domínios do mar! Tudo isto acredito que já tenham ouvido falar ou é muito típico quando pesquisam ‘o que se deve visitar’ em Aveiro. Vá, a vida é um dia e não dois, visitemos respeitando o valor de cada viagem: encontrar o ouro de cada lugar. Parte desse ouro está, em Aveiro, na simpatia e na educação das pessoas. Sim, são extremamente educadas e trabalhadoras. Sobretudo criativas! Sou suspeita, nasci li. Mas, mas não é por tal. É que se vivo em Lisboa (e daqui não quero sair), é porque também sei ser imparcial: Aveiro é o lugar ideal para se ‘ser criado’ e estudar. Depois voar, se se desejar.

Não há distrações da capital. É a pura verdade. Podem vir criticar, mas acho que é das melhores coisas para se enraizar e criar valores: estudar na excelente Universidade, percorrer a Costa de Aveiro nos verões e passear com os amigos na Praça do Peixe e não muito além disso. Mas não posso escrever ‘Praça do Peixe’ e deixar este momento de atração perdido numa frase. A Praça está repleta de restaurantes, bares e algumas lojinhas. E a edificação é lindíssima e pitoresca: colorida e a combinar com o canal da ria que por ali passa, atravessando a cidade. Eu pessoalmente aprecio as recentes casas de chá com muito glamour que têm aparecido nesta zona. Nesta fase que aí vem, sobretudo porque o outono chega mais cedo a Aveiro, o chá e o chocolate quentinho são muito convidativos ali na Praça do Peixe. Jantar ou almoçar, em qualquer lado é muito bom. A nossa gastronomia é de bradar aos céus. O peixe não é a única especialidade! E, porque glamour é, realmente, substantivo que associo a esta cidade e distrito, têm outra zona, na Von Haff, que devem visitar: Pizzarte e o hotel As Américas…. e continuem a percorrer essa rua, deixando a Pizzarte do lado direito e ao fundo viram à esquerda. Continuem, com ou sem frio e entrarão por mais ruas com muitos recantos de cores e feitios.

Aliás percorrer é o verbo que também associo a Aveiro e costumo brincar dizendo que eu venho de uma cidade que se faz a pé num dia! É verdade, one-way! Mas Aveiro tem arredores muito bonitos (aldeias, vilas e lugares!), aliás venho de um deles, todos são extremamente telúricos ou zonas industriais fortíssimas. Sobre o campo, porque amo onde nasci, embora nem sempre foi fácil. E da dificuldade surge o Amor e o reconhecimento pelas coisas, por isso, gostaria de contar-vos uma sensação caso a queiram (sensação gratuita!): sentava-me muitas vezes no meio do milho, mesmo que estivesse toda aperaltada como sempre ando, respirava o sentido da terra e do cultivo de cada coisa que nos chega à mesa… Isto é o que encontram em francos dez minutos da cidade. Saber como cada coisa é semeada e como se cuidam dos animais do ‘aido’!

Sei fazer isso tudo, as coisas do campo, e sinto falta, confesso. E o dialeto, muito amoroso! Quase ninguém fala dos dialetos das regiões, afinal também são parte da viagem. Nessa corrida de 10 minutos desde a cidade, perto de Cacia (não cheira mal, lá, diabos! É depois de lá e é um cheiro necessariamente não aprazível pois encontra-se ali a principal fábrica de papel - Portucel!), encontram uma fábrica de ovos moles. Em Sarrazola, na vila de Cacia, pode fazer desportos aquáticos como o remo. Ali acontecem grandes campeonatos.

E chuva de rebuçados? Também noutra direção a 10 minutos da cidade, pode entrar no jogo dos 100 kilos de doces lançados na Quinta do Gato (fevereiro)! Nas áreas circundantes, pode saborear ali restaurantes típicos de bacalhau, também. Numa distância maior, cerca de 20 a 30 minutos da cidade, recomendo a visitarem Sever do Vouga, especialmente a praia fluvial que cada vez mais encanta nacionais e estrangeiros. O sossego e o ‘som’ da Serra que me lembra o meu pai e ali perto onde quase toda a minha família paterna reside. As pessoas são francamente hospitaleiras e sigam o sentido da natureza até à Cabreia, também em Sever do Vouga, e, simplesmente, banhem-se na cachoeira que ali cai imparavelmente. Até podem reservar um dia e um piquenique ali, ficarão satisfeitos! Turismo rural também o encontram nestas áreas.

Em 2018, a começar no Canal de São Roque tem um novo passadiço que atravessa bosques, pequenas ilhas e a ria, claramente. Experimentem! Corram! Mais, as ostras a provar numa das ilhas pequenitas ali no meio das salinas, agora noutra direção, mesmo à saída da cidade.  Lá encontrarão barcos que são casas, como em Amesterdão, mas com plena calmaria banhada pelo sal e pelo sol. Continuando mais uns 10 minutos no sentido costeiro… chegam às praias de ondas afoitas, seja a Barra, seja a Costa Nova pintada de listas às cores nas suas casas típicas, seja (mais longe) na Vagueira. Praias que têm aquele iodo que mata a brancura de pele e vos torna muito morenos num par de dias!

Mas cuidado, levar para-vento pois Aveiro é naturalmente ventoso. E, se na cidade parecer meio nebuloso, não percam esperanças de setembro pois nas praias está sempre ótimo. As rajadas do senhor Vento é que virão na certa. Ondas grandes, surfistas felizes, hotelaria e gastronomia de perder de vista… parece mesmo um destino de férias de verão por estas bandas. Calmo, romântico, familiar e completo.

No outono e inverno tem toda a sua doçura por dentro da cidade e arredores, mas também nas praias e no farol atento encontram a nostalgia de algo que parece que foi sempre nosso: Aveiro.

Aveiro é uma cidade-livro, diria eu. Há pouco tempo usei esse termo para uma cidade austríaca. Mas Aveiro é onde se cresce com histórias reais e se prepara a caminhada, sejamos nós mais de signos de água ou de terra. Aveiro encanta, de dia e de noite.

Reserve um fim de semana e não deixe o campo de fora. Depois conte a esta aveirense que já lá pouco regressa… o que encontrou de novo. O que amou. Deixe lá um desejo numa das pontes, à moda francesa, sim, é possível!

E obrigada desde já pelas mensagens dos leitores no meu Instagram, também para mim isso é viajar convosco. Ah, e não se vai escapar de algo, uma dica: quem souber que vai visitar Aveiro, vai exigir-lhe ovos moles. Traga lotes deles e delicie os seus enquanto conta histórias dos moliceiros, das pessoas e das casinhas às riscas.

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