
"Nunca imaginei que ainda estaria aqui 25 anos depois", afirma à AFP a arquiteta britânica Julia Barfield, que, juntamente com o marido e sócio David Marks, já falecido, impulsionou a criação da London Eye.
De uma das cabines de vidro da roda, com o Parlamento britânico ao fundo, Barfield explica que o objetivo inicial era encontrar uma maneira impressionante de ver a cidade.
Mas a arquiteta revela alguma surpresa ao comprovar que as pessoas continuem a subir na estrutura para aproveitar a vista, "o que era fundamentalmente o objetivo do projeto".
Com um preço de 42 libras, a London Eye continua a ser uma das atrações pagas mais visitadas do país. Anualmente, cerca de 3,5 milhões de turistas compram o bilhete para um passeio de meia hora com vistas panorâmicas.

Idealizada como algo temporário
Do alto da sua criação mais famosa, Julia Barfield nunca imaginou que a London Eye se tornaria um ícone da arquitetura.
A roda foi idealizada originalmente como uma construção temporária de cinco anos para comemorar a chegada do novo milénio.
Hoje, a sua silhueta está estampada em souvenirs de Londres, desenhada por artistas de rua e fotografada por toda parte em selfies. Mas o futuro da roda-gigante nem sempre esteve assegurado.
Apesar de terem visto a ideia rejeitada durante uma convocação de projetos de um novo monumento na cidade para celebrar o início dos anos 2000, Barfield e David Marks não se deram por vencidos e trabalharam duro durante anos para conseguir financiamento para este projeto ambicioso, explica a arquiteta.
Os criadores queriam dar uma sensação de emoção aos visitantes ao depararem-se com a estrutura "e que se perguntassem como a havíamos projetado", explica a idealizadora.
Com 135 metros de altura, 120 de largura e 32 cabines, cada uma das quais representa um dos bairros da cidade de Londres e com capacidade para receber até 25 pessoas, a London Eye é um gigante de aço.

Uma montagem complexa
A estrutura incomum requereu uma série de inovações tanto técnicas como materiais.
Para as gôndolas, foram importados de Veneza vidros curvados especiais. As diferentes peças foram transportadas por via fluvial ao longo do Tâmisa.
Os operários tiveram de trabalhar sobre a água para montar a roda.
Finalmente, inspirando-se nas técnicas utilizadas para montar plataformas de petróleo no Mar do Norte, a roda foi içada lentamente. E teve de ser erguida duas vezes, porque os cabos cederam durante a primeira tentativa. A estrutura era pesada demais.
Outros problemas técnicos obrigaram o público a esperar vários meses antes de poder subir à Roda do Milénio.
Mas a London Eye uniu-se a uma série de novos prédios na capital britânica para comemorar a chegada de uma nova era, como o Millenium Dome, a Millenium Bridge e a Tate Modern Gallery.
E, assim, quando os londrinos falavam sobre o Y2K (abreviatura de years 2000) e "Baby One More Time" de Britney Spears era o single mais vendido do ano, a London Eye tornou-se na maior roda-gigante do mundo.
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