Foto: Tiago Russo @The Craft Irish Whiskey Co.

Há pouco mais de um mês demos a notícia da coleção de uísque mais cara do mundo, que incluía um Ovo Fabergé. A primeira caixa da coleção foi vendida em leilão por dois milhões de euros.

Tiago Russo, Diretor de Design na Craft Irish Whiskey Co., foi o criativo responsável pelo design da caixa. É português, mais concretamente de Setúbal, e vive em Londres com a mulher há cerca de 6 anos. Falamos com ele sobre este projeto de luxo, a sua vida fora de Portugal e dicas de viagem, nomeadamente locais secretos em Londres.

O projeto de desenvolvimento da caixa mais cara de colecionador de uísque demorou cerca de um ano. “A ideia era associar uísque de luxo a joalharia de luxo. Toda a funcionalidade da caixa foi desenhada pela nossa equipa”, explica Tiago. 

Tiago Russo, Designer, The Craft Irish Whiskey Co.
Tiago Russo com o projeto The Emerald Isle Collection créditos: The Craft Irish Whiskey Co.

"The Emerald Isle Collection" é o segundo lançamento da The Craft Irish Whiskey Co., após o lançamento do "The Devil's Keep" – um uísque puro malte de 29 anos, triplamente destilado – que também estabeleceu um recorde mundial aquando do lançamento inaugural, tornando-o no mais caro do mercado ao ser leiloado em novembro de 2020 por 60 mil dólares (aproximadamente 51 mil euros). 

A coleção é composta por um conjunto personalizado de sete garrafas de uísque que celebra as "Sete Maravilhas da Irlanda”.

“No início do processo tivemos várias ideias para associar o uísque à Irlanda e que referências poderíamos colocar nas garrafas. Se seria cada caixa dedicada a um poeta irlandês ou a um autor, até ao momento em que chegamos à parte visual e beleza da Irlanda e como iríamos fazer essa ponte. E optámos por escolher vários locais relevantes pela beleza natural e história mas também com uma conotação mitológica”, acrescenta o designer. 

As outras seis caixas Emerald Isle serão lançadas em leilões e eventos em várias cidades ao longo de 2021.

Tiago está habituado a desenhar e criar para marcas de luxo desde que veio viver e trabalhar para Londres. No entanto, quando soube que ia trabalhar também para a Fabergé, as coisas assumiram outro nível. “Foi curioso, porque o bruto do projeto foi aprovado logo na primeira reunião com a marca de joalharia, o que surpreendeu-me muito”, confessa. Receber a aprovação direta de uma marca tão icónica mundialmente como a Fabergé deixou Tiago orgulhoso. E ainda teve a oportunidade de conhecer um dos herdeiros da marca. 

Tiago já ganhou dois prémios mundiais de Design, os Luxury Packaging Awards,  pelo seu trabalho com o uísque Devil’s Keep. 

London Calling

Tiago é de Setúbal e estudou Design de Produto, na Faculdade de Belas Artes, em Lisboa. Fez um Mestrado e alguns projetos enquanto freelancer. Rapidamente percebeu que em Portugal seria difícil fazer um carreira na sua área. A decisão de ir para Londres foi unânime, não só pela facilidade da língua (inglês era o idioma com o qual se sentia mais à vontade), pela proximidade mas também pelo facto da capital inglesa ser um dos grandes centros de design da Europa. 

“A adaptação foi mais fácil do que pensei inicialmente. Estava com um pouco de receio por causa do tempo, especialmente, toda a gente dizia que estava sempre cinzento e feio. Mas no primeiro ano em que chegamos choveu pouquíssimo e o verão foi super quente. É claro que faz falta ter praia perto”. 

Tiago vive junto do Parque Olímpico que foi construído para os jogos de 2012, e vive rodeado de parques e rios. Um ambiente mais relaxante e longe da confusão do centro de Londres. E a pandemia trouxe pelo menos uma vantagem, “a de conhecer outros percursos aqui à volta”. 

Ainda não conhece a Escócia. Era uma das viagens que tinha programado quando a pandemia aconteceu. Mas conta fazê-la ainda este ano. 

Claro que quando fazemos a pergunta, o que mais sentes falta de Portugal, a família vem no topo da lista. “Nesta altura, a falta de comunicação e o estar lá fisicamente. Apesar de todas as tecnologias, não é a mesma coisa, obviamente. E da comida, especialmente do peixe de Setúbal”. 

As dicas do Tiago Russo para visitar Londres

Londres

Museus

V&A (Victoria & Albert)

Um dos clássicos no “distrito” dos museus de Londres, em South Kensington, o V&A tem uma mostra enorme de variadas artes, salas de restauro, um jardim no centro do edifício e a zona de restauração com as salas originais criadas por William Morris. Exceto as exposições temporárias, todos o museu é gratuito (tal como a grande maioria em Londres).

National Gallery

A imagem de marca de Trafalgar Square, e um museu sempre digno de se visitar. Salas intermináveis com algumas das mais raras e icónicas obras de arte da História, o edifício por si só é digno de visita, e está localizado no ponto mais central da cidade.

Parques

Morden Hall Park

Morden Hall Park
Morden Hall Park créditos: Tiago Russo

Numa cidade que tem espaços verdes e jardins a cada esquina, esta é uma alternativa mais isolada e calma do que os “típicos” Hyde Park, St. James Park ou Victoria Park. Situado no sudoeste de Londres, a sul de Wimbledon, O Morden Hall Park tem uma vasta extensão de trilhos, zonas de estuário, pontes e estruturas romanas, e estátuas no rio que atravessa o parque, com zonas muito amplas e normalmente calmas para relaxar.

Epping Forest

Epping Forest
Epping Forest créditos: Tiago Russo

Na ponta oposta do Morden Hall Park, no nordeste de Londres, junto a Tottenham e Walthamstow, fica uma floresta relativamente escondida por entre casas e viadutos. Quilómetros de trilhos por entre árvores, riachos, lagos, esquilos e veados, com zonas de merendas e algumas clareiras. Uma das zonas que retiram por completo a perceção de metrópole congestionada de Londres.

Vistas

Tate Modern

Tate Modern
Tate Modern créditos: Tiago Russo

Não só o Tate Modern é um edifício icónico, e um dos grandes exemplares (gratuitos) de arte contemporânea de Londres, mas para quem quiser descobrir o edifício anexo, pode ir até ao telhado, no 10º andar, onde encontra um café e uma vista panorâmica de 360 graus de Londres. Esta é uma das grandes alternativas gratuitas, calmas e com melhor vista até que o turístico e sempre cheio London Eye.

St. Paul’s / One New Change

St. Pauls
St. Paul's créditos: Tiago Russo

A icónica catedral de St. Paul’s é sempre digna de ser vista, contudo, para quem quiser ter uma vista ainda melhor sobre a catedral e Londres, pode atravessar a estrada até à galeria comercial One New Change. Os primeiros dois andares estão repletos de lojas e restauração, contudo, se utilizarmos o elevador de vidro central para subir até ao topo (6º andar), temos acesso ao telhado do edifício, onde se situa um bar e um miradouro virado de frente para a catedral e com vista sobre todo o sul de Londres.

Lifestyle

Richmond

Richmond
Richmond créditos: Tiago Russo

A “vila” localizada no oeste de Londres, muito perto do aeroporto de Heathrow, contém um pouco de tudo, para todos os gostos. Lojas, restaurantes, vida noturna, passadiços junto ao rio, parques (o parque de Richmond tem 12Km de perímetro, e do outro lado da vila encontram-se os famosos Kew Gardens), esta é uma das grandes áreas vibrantes de Londres fora do centro turístico.

Street Markets

Londres não existe sem os seus mercados de rua e os stands de comida. Portobello (aos Sábados) em Notting Hill será o mais famoso dos mercados de rua, mas um pouco por toda a cidade estes podem (e devem) ser visitados. Borough ou Southbank são outros com grande afluência, contudo o Spitalfields, em Liverpool Street, é um mercado que mistura o conceito de bancas de rua com lojas permanentes, situado debaixo de grandes arcadas, o que faz deste mercado uma opção viável seja verão ou inverno.

As bancas de comida de rua, são algo altamente recomendado, seja em que mercado for, uma vez que podemos ter boas mostras de gastronomia quer tipicamente inglesa, quer de cozinhas internacionais, um pouco para todos os gostos.

Fora de Londres

Folkestone

Folkestone
Folkestone créditos: Tiago Russo

A vila de Folkestone é uma das joias escondidas do sul de Inglaterra. Situada perto de Dover, - a 1 hora / hora e meia de Londres - onde se passa o canal para França, quer por Ferry, quer pelo túnel, esta vila maioritariamente piscatória é um grande exemplo daquilo a que os conterrâneos chamam de “quaint village”: ruas estreitas com pequenas lojas independentes, um distrito de artes com várias lojas e galerias, restaurantes, pubs, e toda uma vasta zona junto ao mar com praias (algumas de pedras, outras de areia branca), restaurantes à beira mar, peixe e mariscos frescos e um pontão com um mercado de rua e um miradouro do qual já se vê França.

Dungeness

Dungeness
Dungeness créditos: Tiago Russo

Não muito longe de Folkestone, fica o “deserto” de Dungeness. Junto a antigas explorações de centrais energéticas, hoje em dia Dungeness é uma enorme praia deserta com quilómetros de dunas e restos de embarcações meio perdidas pelos caminhos de ferro desmantelados. Uma pérola perdida na costa, com uma beleza algo desoladora, este é um ótimo local para um passeio calmo ao pôr-do-sol .

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