
Seguimos estrada através da "Rota do Volfrâmio e do Estanho - História e Memória das Comunidades Mineiras", projeto que aposta na valorização turística com a criação de percursos e a requalificação de alguns espaços associados às minas para centros interpretativos.
Um deles é a Lavaria do Cabeço do Pião, um lugar espantoso pela transformação operada pelo homem.


A visita às minas constitui uma experiência única. Deslumbrante. Pela dimensão, pelas enormes escombreiras que parecem montanhas, pelo esforço do homem que há mais de um século revolve a terra para explorar o volfrâmio. Tudo isto impressiona.

Na estrada de acesso à aldeia de São Francisco de Assise, depois à Barroca Grande, onde está a boca da mina, somos permanentemente surpreendidos pela dimensão do território que desde 1886 está a ser transformado pela mão do homem.

Desde a Segunda Grande Guerra, quando teve maior exploração com 10 mil trabalhadores, já se produziram mais de 100 mil toneladas de concentrado de volframite.
Ficamos impressionados, em particular, com a montanha de matéria extraída e que está Cabeça do Pião, junto ao Zêzere e com o anel amarelo e castanho que circunda a Barroca Grande. Provoca uma reação confusa. Ficamos sem saber se protegem ou ameaçam o bairro residencial e as minas onde agora trabalham cerca de 300 pessoas.

O efeito visual é fantástico. Surpreende de imediato olhar.

No Museu Mineiro está retratada a história da mina.
As instalações são uma enorme peça metálica. Um antigo depósito de combustível que imita um gasómetro, o instrumento que iluminava os mineiros.

Nos três pisos da estrutura, estão expostos vários objetos.
Os visitantes podem ainda percorrer uma galeria escavada pelos mineiros há 120 anos, com cerca de 60 metros. É possível ter a experiência de entrar na galeria e sentir um pouco do que é a vida de um mineiro dentro de uma mina.
O Museu é uma iniciativa da Junta de Freguesia que defende uma aposta no turismo.

O presente da mina sofreu alterações significativas do ponto de vista laboral e das condições de trabalho. Quem foi mineiro nas Minas da Panasqueira, há várias décadas, guarda memórias negativas. Da experiência própria e dos familiares.

No acesso às minas encontramos alguns bairros e instalações industriais que estão a laborar longe do rebuliço de décadas atrás.
Mesmo na Barroca Grande o ambiente é distendido. Ouve-se o roncar de máquinas cujas passadeiras transportam o minério mas o resto é um vale de silêncio.
O bairro, quase deserto, e o anel que circunda a povoação marcam o registo industrial, mas parece que os ponteiros do relógio pararam há muito tempo.

Através do site Roteiro das Minas pode explorar várias rotas mineiras em Portugal.
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